2021-12-07 21:05:00
“Iris Rezende foi a maior liderança política de Goiás”
Em entrevista exclusiva ao Jornal O Espaço, Isaac Antônio de Moraes Portilho, ex-secretário de governo e ex-deputado no Governo Iris Rezende Machado, fala sobre a morte do ex-governador, sua personalidade, seus projetos e de política atual
O Espaço – O senhor foi deputado estadual e secretário no Governo Íris Resende. Que análise o senhor faz sobre sua morte e a grande perca política para o estado de Goiás?
Isaac Portilho – Olha! Sabemos que Íris Rezende era um homem que estava acima do próprio tempo; um homem que tinha uma visão diferenciada de administração pública em Goiás, tanto, que nosso estado é conhecido antes e depois da sua administração, porque antes, o Tocantins era ligado a Goiás, assim, ele percebeu que para desenvolver o estado, ele precisaria pavimentar nossas estradas; eletrificar, principalmente, a zona rural, e ainda trazer indústrias. Para trazer indústrias ele criou o FOMENTAR, um dos melhores projetos que o estado criou, para provocar esse desenvolvimento. Então, ele foi um homem que tinha visão para todos os seguimentos para beneficiar e gerar empregos, porém, acima de tudo, ele tinha um olhar bem peculiar para as pessoas humildes. Quando as pessoas o ouviam dizer que ele faria mil casas em um só dia, muita gente disse que ele estava ficando louco, e ele conseguiu fazer, isso, sem contar que ele criou conjuntos habitacionais em várias cidades goianas. Em Rio Verde, por exemplos, ele construiu 150 casas em um dia. Então, Iris Rezende foi um político que conseguiu fazer Goiás ser conhecido nacionalmente, porque antes, em outras regiões do País, muitos achavam que por aqui só tinha índios no meio das ruas; que toda a população era de caipira, mas, quando se voltaram os olhares para cá, perceberam que tratava-se de um estado pujante e que poderia somar para melhorar também o Brasil.
O Espaço – Uma coisa bonita de se vê, são as pessoas que agradeciam ele por terem alcançado a casa própria. Ele fez muito pelo social?
Isaac Portilho – Não tenha dúvidas! Eu me lembro como secretário, que um dia ele me chamou e disse que nós precisávamos fazer mais convênios com as entidades filantrópicas, para ajudar a desenvolver um trabalho com menores de idade e com os idosos. Eu perguntei o que iríamos oferecer para eles. A resposta foi: “não sei! Você pensa e me fala.” Então, eu elaborei um projeto de isenção de água e energia para todas as entidades que fizesse trabalhos filantrópicos. Imediatamente enviamos esse projeto para a Assembleia, que foi aprovado. Com certeza, esse trabalho contribuiu muito para melhorar as condições de vida das pessoas mais humildes.
O Espaço – O senhor entende que o fenômeno Iris Rezende foi a maior liderança do estado de Goiás?
Isaac Portilho – Sem dúvida alguma! O Íris foi um ícone da política goiana; para aparecer outro Iris Rezende, vai demorar 500 anos, podem acreditar nisso, porque o Iris fazia tudo de coração; ele fazia as coisas com amor ao próximo; ele não desrespeitava ninguém, pode-se perceber que todos os adversários se curvavam diante do seu carisma e a forma cortês que ele tratava todos e como desenvolvia o seu trabalho.
O Espaço – O que o senhor destaca no trabalho de Iris Rezende, além dos mutirões para a construção de moradias populares?
Isaac Portilho – Eu acredito que o FOMENTAR foi um dos grandes feitas da administração do Iris, porque foi quando as grandes indústrias começaram a vir para Goiás, gerando muitos postos de trabalho. É claro que elas tiveram muitos benefícios, porém, depois de algum tempo elas chegaram ao momento de melhorar a renda do estado. O FOMENTAR foi um marco decisivo para o desenvolvimento de Goiás, além de ser uma forma que ele procurava para expandir o nosso estado.
A energia levada para a zona rural, por exemplo, foi uma forma de estancar o êxodo rural, porque todos queriam mudar para as cidades, mas, depois que o Iris levou energia para o campo, as pessoas começaram a retornar para lá, pois já poderiam ter televisão, banho quente e outros confortos.
O Espaço – No seu último mandato, como prefeito de Goiânia, Iris ficou meu paralisado por algum tempo, mas no final, mostrou sua força e provou que ainda estava politicamente bem vivo.
Isaac Portilho – Sim! Foram várias obras concluídas e, as que não foram, tenho dúvidas que o atual prefeito vai conseguir terminar ao longo de seu mandato. Por isso, percebemos que Iris tinha uma grande capacidade de fazer mais com menos dinheiro público, fazendo obras que eram de suma importância para a população.
O Espaço – Os mais jovens não conheceram o seu trabalho. Fala um pouco sobre ele e informe qual era o nome da secretaria.
Isaac Portilho – Minha secretaria tinha duas funções, porque era duas em uma. Eram as secretarias de Assistência Social e Trabalho. Tínhamos os recursos do FUNCET e tivemos condições de fazer grandes trabalhos. Para o Conselho Tutelar de Rio Verde, por exemplo, eu consegui todos os computadores e um veículo Kombi, zero quilômetro; fiz convênios com todas as instituições filantrópicas, como o Instituto de Assistência a Menores, Hospital do Marat Souza, Creches, Abrigo dos Velhos, Sanatório Espírita e outros.
Para a Associação dos Deficientes Físicos de Rio Verde, eu trouxe máquinas industriais e material para ser usado no projeto de cursos profissionalizantes para os deficientes. Nós trouxemos caminhões cheios de gêneros alimentícios e medicamentos para ajudar. Assim, fizemos um trabalho social muito importante, que até hoje rende benefícios para uma parte da população, sendo melhor aperfeiçoado em alguns casos.
O Espaço – Na época, o senhor deixou de ser deputado para assumir esse cargo de secretário. O senhor permaneceu quanto tempo no cargo de deputado?
Isaac Portilho – Meu mandato foi de 91 até 95; fiquei quatorze meses como secretário, foi quando veio novas eleições e eu me licenciei para concorrer novamente.
O Espaço – Sendo uma liderança política e dirigente do MDB, como o senhor vê essa ligação do partido, com o governador Ronaldo Caiado? O senhor apoia a decisão do Daniel Vilela?
Isaac Portilho – Nós demos apoio integral ao Daniel; acreditamos que ele vai contribuir muito com a próxima eleição. Agora, eu faço política com companheirismo e valorizando cada um deles. Meu partido sempre foi o MDB, agora, se não houver valorização para todos os companheiros, não daremos o respaldo que precisa. Nós queremos e precisamos ajudar, mas tem que haver a contrapartida.







