2019-09-01 07:51:00
MALUCO BELEZA
MALUCO BELEZAFrancisco de Paula Mesquita
Trinta anos sem Raul Seixas. Raul Santos Seixas, nascido em Salvador, Bahia, em 28 de junho de 1945 e falecido aos 44 anos, em 21 de agosto de 1989, na capital paulista. Mais conhecido no meio musical como o pai do roque brasileiro, Raul Seixas ainda provoca mesmo depois de trinta anos de sua partida. Protagonista de uma incontável lista de temas em trabalhos acadêmicos, principalmente em programas de pós-graduação em história, sociologia, música e tantas outras especialidades; entre tantas, a que mais me chamou a atenção, uma dissertação de mestrado em história, de autoria de Eberto Diego Santos, pela Universidade Federal de Uberlândia MG, intitulada “Um Cawboy Fora da Lei”, pesquisa e publica a afinidade de Raul Seixas com o escritor Paulo Coelho, que não menos revolucionário e de espírito inquieto do que o cantor; considerando o trabalho musical de Raul Seixas uma verdadeira obra de arte, assim, como as publicações de Paulo Coelho. Há, porém, outros títulos não menos chamativos, como, por exemplo, “A Sociologia de Raul Seixas”, também dissertação de mestrado para a UFMG, de Belo Horizonte, de autoria de Bianca Márcia Ferreira. Esse trabalho inicia com uma abordagem ao comportamento social do roqueiro, principalmente quanto ao seu pensamento na composição “Sociedade Alternativa”; sua análise ao comportamento social e sua musicalidade contempla a trajetória de vida do roqueiro de “há dez mil anos atrás”. Multidões de fãs se reúnem todos os anos no Teatro Municipal de São Paulo, para reviver a trajetória do ídolo do roque nacional e, neste dia 21 de agosto deste ano de 2019, não foi diferente e reuniram milhares de seguidores do astro “in memoria” exibindo também, milhares de objetos símbolos do cantor revolucionário. Em uma das suas últimas entrevistas no programa do Gordo, programa do apresentador Jô Soares, Raul Seixas se diverte ao falar sobre seu encontro com o cantor John Lennon: “Fui preso e torturado pelos milicos e depois fui expulso do meu país e fui para Nova Iorque, lá me encontrei com John Lennon, que me cedeu um apartamento onde morei por algum tempo” disse. Perguntado por que foi expulso responde em ar de chacota que foi expulso por causa de sua composição intitulada “Sociedade Alternativa” que a escreveu para o cantor seu ídolo, John Lennon. Falou ainda sobre sua prisão e tortura, seguida de sua expulsão do seu próprio País. Em entrevista cedida ao Jornalista André Barbosa, da extinta Rádio Record de São Paulo, contou detalhes sobre o que sofreu, viu e assistiu no cárcere em 1974, e acrescenta: Em 1974, eu estava com a Sociedade Alternativa, essa ideia estrutural, com os parâmetros todos desenvolvido. “Estava em uma época esotérica, frequentando tudo, participando de tudo, escrevendo para John Lennon. Não sabia que iria me encontrar com ele. Também não sabia que eu ia ser expulso do Brasil. Ordem de prisão do 1º Exército”. Raul Seixas morreu sozinho no seu apartamento em São Paulo, vítima de coma alcoólico, segundo informações de parte da imprensa, o ícone da o roque se via pressionado pelo seu propósito de vida e entrou em depressão se afundando no mundo das drogas e do álcool, o que causou sua morte precoce. Entretanto, não se pode negar que tenha deixado um imenso legado do ponto de vista de suas ideias e também de sua musicalidade; deixando no mínimo cerca de quatrocentas composições em aproximadamente quarenta discos com milhões de discos vendidos e conta hoje com exposições com miliares de fotografias espalhada por toda parte do Brasil e, do mundo. Mesmo sendo o ícone do reque brasileiro objeto principal deste artigo, não poderia deixar de observar a questão do mal, maior inimigo da sociedade mundial, a “depressão” que não escolhe grau de escolaridade, linha de pensamento, tampouco posições sociais para atacar e causar estragos indesejados em suas vidas.







