2019-10-01 07:48:00
PENSAMENTO SOBRE A ÉTICA CRISTÃ
PENSAMENTO SOBRE A ÉTICA CRISTÃFrancisco de Paula Mesquita
Enquanto a ética considera o que é moralmente certo ou errado, a ética cristã considera o que é moralmente certo ou errado para os cristãos. A Ética tem seu início do ponto de vista filosófico na antiga Grécia, por volta do século IV a.C., porém, a ética sempre fez parte da vida e do dia a dia da humanidade, mesmo ainda quando não havia os códigos escritos e positivados, enquanto a própria consciência estabelecia a ética a ser observada, conforme Paulo escrevendo Aos Romanos, disse: “Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos (14). Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se” (15) – (Aos Romanos, 2. 14 e 15). Neste artigo tratará dos fundamentos da Ética Cristã e, principalmente considerando a Ética Cristã em Paulo, o Apóstolo, grande defensor dos princípios éticos dentro de uma vida cristã. A ética cristã tem a forma de mandamento divino; um dever ético é uma prescrição divina; é algo que temos que praticar. Ela mostra ao ser humano o quanto ele está distante dos alvos de Deus para a sua vida, mas o ajuda a progredir em direção a esse ideal. É justamente nesse movimento entre onde se está e para onde se almeja ir, qual é o referencial de chegada que nos conduz ao processo de aperfeiçoamento ou santificação. Nas palavras do próprio Paulo: “Não que eu já tenha obtido isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, não pensa que eu mesmo já tenha alcançado, mas uma coisa faço: Esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses, 3. 12-14). O que diferencia a ética geral da ética Cristã é justamente porque a ética geral trata de uma forma moral do ser humano ao viver em sociedade. A ética cristã trata da base bíblica, principalmente nos evangelhos (onde encontramos as palavras de Cristo) e nos escritos dos apóstolos, que difundiram e explicaram os ensinamentos de Jesus. Posto de outra forma: O que distingue a ética cristã de outra ética é qual o referencial, o padrão, aonde se quer chegar. Para a ética cristã, o referencial é Cristo e é esta a “medida” ou “estatura espiritual” que se pretende alcançar. Paulo, muito provavelmente, seja o escritor bíblico que mais explana nesse sentido; podemos exemplificar comparando em sua carta à igreja de Éfeso: “(...). Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas. E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres. Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguem à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo”. (Efésios, 4. 10-13). Na carta aos cristãos de Éfeso, Paulo incentiva que os irmãos deixem de ser como crianças inconstantes, influenciadas por situações diversas e ensinos duvidosos. O seu objetivo (que deve ser o de todos os ministros, como decorre), é trabalhar para que haja um crescimento “até” que todos (nós) alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. Atentando para os dois tipos de bibliografias primordiais, bíblicas e teológicas, podemos avaliar os princípios e valores que fundamentaram o surgimento desta nova perspectiva ética. O relato histórico contido no livro de Atos, de autoria do médico e historiador Lucas, oferece ao leitor recortes da biografia do apóstolo Paulo. As cartas paulinas, por sua vez, nos acrescentam informações de fatos e trazem sua contribuição notória para a elaboração da teologia cristã. Uma das suas várias contribuições para o movimento cristão se deve ao fato de que esse pregador extrapolou barreiras culturais, religiosas, econômicas e políticas de sua época, para falar aos judeus e aos gentios sobre pessoa e a mensagem de Cristo; as chamadas boas novas do Evangelho, as quais representam uma mudança radical de mentalidade e de modo de vida para o sujeito que crê como se conduz nos escritos do Novo Testamento.





