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2020-01-10 08:00:00

2019 termina com sinais de retomada econômica no Brasil

“Creio que em 2020 vai haver uma melhora muito grande e uma retomada para os setores de comércio de bens e serviços em geral. O comércio vai voltar a ter mais consumidores confiantes, principalmente, com o aumento de vagas de empregos no País. ” Disse Ivo Júnior, presidente da Acirv.

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Espaço, Ivo Marques de Moraes Júnior, presidente da Associação Comercial e Industrial de Rio Verde, fala sobre a lucratividade dos comerciantes rio-verdenses e a economia nacional

   O Espaço – O que a Associação Comercial e Industrial de Rio Verde – ACIRV, faz para os empresários da região?
   Ivo Júnior – Esses anos de 2018 e 2019 foram muito importantes para a Associação, pois conseguimos fazer várias campanhas para fortalecer o comércio local. Lançamos a campanha Dá Sorte Comprar Aqui, sorteando um carro zero quilômetro e mais dez Vale Compras, com valores de mil reais, cada. 
   Essa, foi uma campanha que investimos mais de sessenta mil reais, um gasto que a Acirv fez, para ajudar os comerciantes e fortalecer o comércio.
   No decorrer do ano, também promovemos algumas ações, como sobre o Diferencial de Alíquotas – DIFAL, que atinge diretamente o comerciante de pequeno porte, que está no regime tributário simples, e que vinha sofrendo muito com a cobrança do governo. Então, a Acirv, também puxou a frente para promover uma ação coletiva, que vai beneficiar todos os associados.
   Temos também várias outras ações em nível de governo estadual e municipal. Há pouco tempo tivemos a boa notícia da vinda para Rio Verde, da Rumo Logística e, tanto a Acirv, quanto o nosso Conselho de Desenvolvimento Econômico de Rio Verde – Coderv, além do nosso Observatório, foram fundamentais para que a Rumo viesse para o Município. Assim, nós pudemos mostrar que nossa cidade é o local ideal para a instalação desta empresa.
   Todo trabalho feito dentro do Coderv, juntamente com a Acirv e com todos os demais parceiros, o Sindicato Rural, Maçonaria, Câmara de Diretores Lojistas – CDL, Sindivarejista e as outras entidades que compõe o Coderv, foi fundamental para selar essa parceria com a Rumo Logística. 
O foco da Acirv, do Coderv e de todas as demais entidades é o mesmo, buscar qualidade de vida para a população, geração de empregos e renda...

   Espaço – O carro foi sorteado somente para as lojas associadas?
   Ivo Júnior – Sim! Só para os parceiros Acirv. Tem um valor para aqueles que não são associados, participarem, mas, não teve nenhum lojista que não fosse associado, que se interessou em participar.

   O Espaço – Sobre o Observatório, que já atuou investigando o consumo de combustíveis na Câmara Municipal. Ele foi criado para fiscalizar o poder público, também?
   Ivo Júnior – Exatamente! Uma das finalidades do Observatório é ajudar nessa fiscalização, desenvolvendo um trabalho de controladoria, tanto do poder executivo e suas secretarias, quanto do legislativo, da UniRV e do IPARV. 

   O Espaço – Como o senhor avalia a reação do povo de Santa Helena, em face a transferência da Plataforma Multimodal para Rio Verde?
   Ivo Júnior – Então... a escolha por Rio Verde foi uma questão técnica. O pessoal da Rumo Logística vai fazer um investimento pesado, portanto, vão querer investir onde terá mais viabilidade, onde estão os clientes e onde vai ter maior retorno do investimento.
   No caso de Santa Helena, foi feito levantamento pela VALEC Engenharia, Construções e Ferrovias S/A, quando ainda não tinha essa abertura da licitação dos consórcios para explorar a ferrovia, então, quando a Rumo ganhou, mudou tudo. Existe o controle do governo, mas, essa Empresa, que escolheu Rio Verde, vai ter o direito de explorar o serviço pelos próximos trinta anos.
   Agora, como tenho opinião de que os municípios precisam ser parceiros, acho que é preciso trabalhar de forma integrada, para beneficiar os dois municípios e evitar essas rixas. Inclusive, prevejo que no futuro, isso vai se tornar uma integração única, sendo exemplo para o Brasil.

   O Espaço – Este ano vai ter Sudoexpo?
   Ivo Júnior – Claro! Neste ano vai ter Sudoexpo em setembro, pois trata-se de uma feira bienal; vai ser a décima sétima feira que vamos promover, inclusive, com muitas novidades que serão informadas mais para o futuro.

   O Espaço – Sobre o natal e ano novo, como foi a lucratividade em relação ao ano retrasado? 
   Ivo Júnior – Teve um levantamento mostrado pela televisão, apontando um crescimento entre as lojas de Shopping Centers, de cerca de nove por cento. Mas, o que percebemos é que passamos por um período de recessão e, o ano de 2018 foi muito ruim; o primeiro semestre de 2019 se mostrou bastante estável, todos segurando os negócios, os empresários com muitas dúvidas, a nova política do novo governo e assim, vimos o comércio do primeiro semestre de 2019, quando comparado com o primeiro de 2018. O primeiro semestre de 2018 estava muito bom, porém, a greve dos caminhoneiros, que começou em meados de maio, é que começou a desandar o crescimento do País no segundo semestre. Então, quando comparamos o segundo semestre de 2018 com o segundo de 2019, observamos uma melhora a partir de agosto, quando o País começou a gerar mais empregos e a arrecadação melhorar, assim, fechamos o 2019 um pouco retraído, apesar de que alguns segmentos conseguiram melhorar, como as lojas de Shopping Centers e o setor de automóveis, mas, na parte de gêneros alimentícios em geral, acredito que ficou estagnado, porém, mostrando e apontando melhorias e crescimento para o ano de 2020. Creio que em 2020 vai haver uma melhora muito grande e uma retomada para os setores de comércio de bens e serviços em geral. O comércio vai voltar a ter mais consumidores confiantes, principalmente, com o aumento de vagas de empregos no País.

   O Espaço – Então, para esse último natal, a lucratividade foi ruim?
   Ivo Júnior – Foi... para o nosso segmento, que é o gênero alimentício, ele foi um pouco melhor do que 2018, mas não foi bom, e ficou na casa de dois e três por cento. Se formos comparar com os resultados dos anos anteriores a 2018, que foram muito melhores, concluímos que o natal de 2019 foi muito retraído e tem espaço para melhorar muito.

   O Espaço – Qual é o posicionamento das lideranças dos setores que não fazem parte da Acirv?
   Ivo Júnior – Para ser direto, digo que o final de 2019 foi um pouco melhor do que o final de 2018. Isso indica que virá uma curva ascendente de crescimento, o que é positivo, porém, quando olhamos para os números realizados e comparamos com os anos 2017, 2016, 2015... podemos concluir que 2019 ficou aquém, isso, no setor alimentício. Agora, com relação a outros setores como veículos e utilidades, algumas pesquisas já apontam melhora, ou seja, houve crescimento em 2019.

   O Espaço – O senhor acredita na política do governo federal? Está no caminho certo?
   Ivo Júnior – Já começou a melhorar e muito, hein! Quando começamos a comparar o primeiro com o segundo semestre de 2019, já podemos perceber os empresários mais confiantes e as empresas de grande porte fazendo mais investimentos. Aqui em Goiás, estamos tendo uma dificuldade com o governo estadual, com relação aos incentivos fiscais, que está prejudicando muito os empresários do Estado e da região, mas, quando se fala do governo federal, eu acho que os ministros estão com uma política para colocar o País nos trilhos e buscar a retomada do crescimento.

   O Espaço – Como se explica o fato de o setor de alimentos, aumentar tanto o preço da carne e seus derivados, por exemplo?
   Ivo Júnior – A política do governo, de liberdade econômica, abertura de negociações com outros países e com o Mercosul, tudo isso beneficiou o Brasil, mas, nós começamos a exportar mais, sendo que não estávamos preparados para essa demanda toda, principalmente, de proteína, e com isso, nossos produtos subiram de preço. A carne subiu muito, o arroz, que já foi por causa da Argentina e da produção do mercado interno, que não atendeu a demanda, também subiu bastante. Então, a lei da oferta e da procura é que vai controlar os preços.
   Agora é hora do governo se preocupar com o mercado interno, não fechando as exportações, mas criando incentivos de produção. Quanto aos consumidores, com a carne vermelha do preço que está, ele tem a opção do peixe, da carne suína e aves, de forma a expandir o mercado, dando oportunidade para todos os setores.

Transcrição:
Divino Ramos